Demon’s Souls – Análise

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As novas consolas já chegaram e, com elas, teremos o prazer de desfrutar novas experiências, únicas e inovadoras. Contudo, não deixa de ser engraçado o facto de entrar nesta nova geração ao viajar para o passado, mais precisamente 2009, o ano em que nasceu um novo género (ou subgénero se preferirem) nos videojogos.

Voltando a 2020, e com o início de uma nova geração, a Bluepoint Games, conhecida pelo seu excelente trabalho em trazer de volta jogos adorados, como por exemplo, Shadow of the Colossus, decidiu surpreender-nos com o anúncio do remake de Demon’s Souls para a PlayStation 5. Surpreender acaba por não ser a melhor palavra pois os rumores existiam há bastantes meses, mas isso não é para aqui chamado agora.

Apesar de ter jogado o título original, não o consegui terminar. A exigente e desafiante dificuldade foi o maior obstáculo que me impediu de continuar a experiência (aqui fica a minha desculpa por não saber jogar). No entanto, após ter a oportunidade de viajar pela cidade gótica e grotesca de Bloodborne, e o mundo medieval e incrível de Dark Souls, comecei a perceber e a adorar a magia dos títulos da FromSoftware. Nesse sentido, decidi comprar um bilhete de volta para Boletaria e viver esta jornada até ao fim.

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Boletaria continua magnífica e misteriosa.

 

O início de algo grandioso

A estrutura narrativa de Demon’s Souls tem o conceito e forma que temos sido habituados nos últimos anos, tirando talvez Sekiro. Logicamente que isto não é de estranhar visto Demon’s Souls ser o primeiro título desta saga tão aclamada nos últimos anos. Porém, para quem não está ao corrente, a “história” não é dada ao jogador de mão beijada, mas sim, pede para que seja encontrada ao longo dos diversos locais, seja através da interação com NPC’s ou outras formas.

Apesar do conteúdo da história estar mais concentrado no lore do mundo (que acaba por ser opcional para o jogador explorar), tive a sensação de que a mesma está mais presente do que nas entradas mais recentes. O que quero dizer com isto é que não senti a necessidade de explorar cada detalhe escondido da narrativa de forma a entender os motivos do objetivo principal, algo que tive de fazer em Bloodborne. Isto, certamente, não é um aspeto de negativo (muito pelo contrário), mas sim uma perspetiva diferente e curiosa numa série que não segura a mão do jogador. Todavia, é sempre bom sabermos mais sobre o universo que estamos a explorar com o objetivo de tornar a experiência mais rica.

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O primeiro grande confronto. Não esperem piedade.

Desta vez, não é a narrativa que nos traz de volta a Demon’s Souls, mas sim o seu renovado e soberbo aspeto gráfico que dá uma nova (e desejada) vida ao seu mundo de fantasia. Este é um dos primeiros títulos da nova geração para a PlayStation 5 e, neste momento, é o jogo que mais se destaca a nível visual.

Este remake demonstra um talento técnico incrível da equipa. Cada local é recheado de detalhe e os modelos das personagens (NPC’s e inimigos) são excelentes, assim como a sua animação. Os efeitos visuais são uma evolução extraordinária comparativamente à geração anterior. Para além disso, este feito técnico é acompanhado pela fluidez que os 60FPS proporcionam (existe também uma opção gráfica que aumenta a resolução, mas reduz os FPS para 30), tornado toda a experiência mais fluída e prazerosa.

A banda sonora também foi refeita com excelentes melodias e que me fizeram sentir imerso e perdido em Boletaria. Aliás, gostei tanto que até hoje continuo a ouvir algumas das músicas que mais me marcaram (“Maiden Astraea” é completamente fascinante) com destaque especial na harmonia escolhida para os créditos do jogo, pois torna o final ainda mais épico. Para além da banda sonora, posso dizer que o restante trabalho de áudio, seja em combate ou em exploração, é absurdamente fabuloso.

A Bluepoint Games também tirou partido das funcionalidades do DualSense, como o Haptic Feedback e a coluna do comando. Em combate, sentimos o impacto dos nossos ataques e o som dos mesmos através do trabalho conjunto destas componentes. Contudo, não achei uma sensação revolucionária, mas gostei da imersão adicional que o DualSense proporcionou a este título.

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Os vários locais disponíveis são soberbos, tecnicamente e artisticamente.

A alma de um género

No meio de tanto melhoramento visual e de performance, há algo que continua intacto no jogo. A essência que o torna tão especial e único. Estou, obviamente, a falar da sua exigente e implacável jogabilidade, a qual nos faz chorar de frustração, bem como facilmente nos deixa a sorrir de satisfação. Apesar de tudo, superar os rigorosos desafios que este título nos coloca, é dos maiores prazeres que podemos ter nos videojogos, e acaba por contribuir no aumento do nosso ego (o qual pode facilmente sofrer um tombo no combate seguinte).

É este ciclo de derrotas e vitórias que nos faz agarrar a este género “Souls-like”. No entanto, este apenas funciona se as restantes mecânicas de RPG estiverem presentes, como por exemplo, um sistema de looting, classes e upgrades à nossa personagem, entre outros. É com esta combinação de mecânicas que enfrentamos as várias dungeons dolorosas presentes neste jogo.

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“Quantas partículas querem no ecrã?” – “Sim.”

As lutas de boss é um dos pilares da jogabilidade e Demon’s Souls não desilude. Os bosses são implacáveis e criativos, e apesar de não serem os mais impressionantes, em comparação aos títulos mais recentes, estes oponentes rigorosos serviram de inspiração para os futuros jogos. Neste remake, as alterações visuais realizadas aos bosses e aos seus cenários, conseguiram elevar a apresentação técnica e artística a um nível que não seria possível na versão original. Nesse sentido, as lutas ficaram, sem dúvida, mais apelativas e fluídas, tornando a experiência mais brutal e divertida.

Existe também uma variedade de locais para explorar e onde podemos perder várias horas a desvendar os seus segredos, incluindo a “carta” de amor que a Bluepoint Games escondeu para os fãs. Isto sem esquecer o multiplayer icónico e brilhante que se encontra com uma comunidade ativa, pronta a ajudar ou a estragar o nosso progresso.

No meu caso, fui invadido (isto é possível, caso não se esteja em forma espiritual) várias vezes e nas piores das situações. Apesar de não prejudicar a minha experiência de jogo, poderá não ser o caso para outros jogadores. No entanto, para evitar este tipo de situação, podem sempre iniciar o jogo em modo offline.

Um regresso triunfante

É uma sensação fantástica poder finalmente jogar esta nova versão de Demon’s Souls. Graças ao seu renovado e soberbo visual, e à sua fluidez técnica na jogabilidade, temos um mundo misterioso que merece ser explorado na companhia da sua excecional componente sonora. Para quem sempre teve curiosidade em descobrir o início da fórmula “Souls-like”, esta é a vossa linha de partida para uma jornada mágica. Quanto aos fãs do jogo original e dos títulos que vieram depois, este remake é mais que obrigatório na vossa coleção. Na verdade, não posso deixar de recomendar Demon’s Souls, sendo um daqueles títulos que qualquer jogador deve experimentar, nem que seja durante uma hora (o tempo suficiente para morrer várias vezes). Deixo-vos com a seguinte pergunta: Estão preparados?

positivo Um mundo misterioso e recheado de histórias
positivo Um feito técnico em todos os aspetos
positivo Funcionalidades do DualSense
positivo As origens da jogabilidade brilhante deste género
positivo Componente de áudio absurdamente excecional

errado Frustração por perder várias vezes? Não, pois a satisfação de uma vitória acaba por ser maior!

Data de Lançamento: 12/11/2020
Produtora: Bluepoint Games
Editora: Sony Interactive Entertainment
Género: Ação, RPG
Disponível para: Playstation 5

Autor: Pedro Costa

Desde pequeno que é fascinado por experiências interactivas que apenas os videojogos proporcionam. Para além disso, é apreciador de vários géneros de anime. @ShingetsuPT

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