Werewolf: The Apocalypse – Earthblood – Análise

Werewolf The Apocalypse Earthblood análise

Estamos em 2021, mas Werewolf: The Apocalypse – Earthblood fez-me recuar uns dez anos após ter iniciado a minha aventura. Sim, isto começa logo assim a rasgar, tal como as mandíbulas de um animal fazem a qualquer ameaça que se oponha no seu caminho. Este título é inspirado no jogo de tabuleiro com o mesmo nome, mas confesso que não conhecendo o material original, é-me difícil fazer quaisquer comparações a esse nível. Já do videojogo em si posso falar facilmente, por isso: vamos lá.

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É impossível não apreciar a vista de alguns dos cenários exteriores.

Nós somos Cahal, um lobisomem que se vê forçado a abandonar a sua alcateia, após ter desencadeado certos trágicos eventos (que, obviamente, não vos vou mencionar agora), e que tem como luta diária a constante oposição às empresas que tentam destruir a natureza com objetivos de industrialização em massa. Após vários anos afastados da sua alcateia, o destino quis que se voltasse a cruzar com a mesma, pois esta estava sob uma grande ameaça, que, nem por acaso, tem a ver com as tais empresas que querem industrializar tudo e mais alguma coisa. O enquadramento do jogo acaba por abordar algo que acontece efetivamente na vida real (menos a parte dos lobisomens, digo eu, corrijam-me se estiver errado), onde a destruição da natureza acontece, muitas vezes, por interesses económicos e não pelo bem da mesma. Não se preocupem, o jogo nunca fica muito político e nem eu quero esticar mais esta parte. Quanto à narrativa em si, é algo banal e sem qualquer surpresa durante a sua duração.

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Tanto visualmente, como em termos de animações, os NPC’s são bastante fracos.

Furtividade ou caos? A escolha é vossa.

Porém, se a narrativa não é de todo interessante, a jogabilidade também não tenta compensar esse aspeto. Apesar do jogo conter uma árvore de habilidades, a qual permite algum tipo de personalização em combate, a jogabilidade em si é muito linear em termos de progresso ao longo dos níveis. Área após área, somos confrontados com secções onde a furtividade é obrigatória (mas, felizmente, estas não são muito longas). Em tudo o resto, essa opção fica a nosso critério: queremos ser furtivos ou queremos mostrar as nossas garras? Bom, a minha pessoa decidiu quase sempre mostrar as garras (pois, claro), sendo que é muito mais divertido criar o caos do que passar despercebido. O facto de grande parte do cenário ser totalmente destrutível durante o combate ajudou ainda mais nesta escolha. Em termos de stealth, o jogo até oferece algum desafio pois são vários os inimigos e câmaras de vigilância que temos de ultrapassar. A dada altura, senti que estava a levar demasiado tempo para conseguir passar despercebido, e foi aí que a transformação em lobisomem se tornou algo presente a cada novo combate.

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A árvore de habilidades que permite uma personalização engraçada da jogabilidade.

Há pouco mencionei a existência de uma árvore de habilidades e esta oferece alguma personalização na forma como agimos ou combatemos. Podemos jogar como humano, lobo ou lobisomem, onde apenas o lobisomem tem direito ao combate. As outras duas formas servem maioritariamente para stealth, o que não deixa de ser estranho. A skill tree acaba por ser um incentivo à exploração dos níveis porque, para podermos evoluir, temos de encontrar algumas plantas nos cenários. Estas só são visíveis ao utilizarmos uma visão sensorial “animal”, onde, na mesma, podemos ver também inimigos e as ligações tecnológicas com as quais temos de interagir para desativar câmaras de vigilância, turrets, ou, inclusivamente, ativar portas para podermos passar. Digamos que é quase como ativar a visão noturna, mas onde fica tudo vermelho ao invés do habitual verde.

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A tal visão “animal” que permite ver inimigos e objetos com os quais podemos interagir, inclusivamente, para podermos obter pontos de habilidade.

O hub world foi uma surpresa engraçada

No entanto, existe algo que me surpreendeu no jogo: o género de hub world que contém. O jogo tem várias zonas, as quais estão todas ligadas à nossa “casa” no meio da floresta. O nosso lar tem cerca de três a quatro saídas, as quais podemos explorar mesmo sem ir para uma missão. Essas saídas vão dar aos locais das missões em si; os quais, normalmente, são infraestruturas que temos de invadir para fazer o que quer que a missão exija. Achei a ideia interessante e dá uma sensação de um pequeno mundo aberto, embora com pouco para interagir, para além de obter colecionáveis (que, por sua vez, nos dão a conhecer um pouco melhor o mundo), bem como o tal género de plantas que temos de apanhar para evoluir. OK, vou corrigir isto. É mais cheirar como se fossemos um… lobo. Sim, é isto. Basicamente. Neste hub world também existe a opção de fazermos algumas missões secundárias, embora algo muito reduzido em termos de quantidade, mas não deixam de marcar presença. Poderia falar mais sobre isto porque existe algo de especial associado às mesmas, mas deixo para quem quiser ser surpreendido.

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O combate é, sem margem para dúvida, a parte mais divertida do jogo.

Relativamente ao combate, é aqui que entra uma das partes mais divertidas do jogo. A transformação em lobisomem está muito bem feita e rapidamente vemos o caos a surgir, com inimigos a serem projetados, sangue por todo o lado, balas a voar, lasers, e muito mais. Uma autêntica zona de guerra apenas prejudicada, na minha opinião, pela falta de desmembramento dos humanos. Como é que um lobisomem daquele tamanho não consegue desfazer os seus adversários? Os corpos ficam inteiros, sem qualquer mancha de sangue, sendo apenas o cenário o único a ficar pintado. Aliás, até posso ir ainda mais longe. A própria personagem principal continua igual após regressar à forma humana, sem qualquer vestígio de sangue na roupa, com esta praticamente como nova e sem qualquer rasgão, o que acaba por tirar um pouco a veracidade à coisa. É caso para dizer: um videojogo a ser videojogo. Ao fim ao cabo, quem não se lembra, por exemplo, de ver o Batman a ficar com o seu fato rasgado após vários combates em Arkham Asylum? Sim, aqui encaixaria muito bem esse detalhe.

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Jogar como lobo não teve tanta importância quanto esperava. É mais para secções stealth, mas o mesmo pode ser feito com a forma de humano.

O aspeto e animações dos NPC’s são claros problemas que poderiam ter sido evitados

Embora o combate possa ser divertido nas primeiras horas, o mesmo começa a tornar-se repetitivo (mas não menos divertido) com o seu progresso. Começa de forma muito acessível, mas, com o tempo, vai exigindo que tenhamos mais cuidado na maneira como abordamos certos inimigos ou zonas. É aqui que entra a parte de stealth, onde poderá valer a pena tentar passar o mais despercebido possível. Existem também alguns bosses no jogo que oferecem um desafio engraçado e momentos mais grandiosos, o que ajuda, também, a quebrar um pouco da monotonia.

Mas, falando ainda em termos visuais, ao contrário da personagem principal, todos os outros NPC’s parecem deslavados, com texturas muito fracas, transferidas diretamente da geração da PlayStation 3 e Xbox 360: uma autêntica ofensa aos nossos olhos. As próprias animações são horríveis e ultrapassadas, acompanhadas de um lip sync arrepiante, de tão mau que é. Também sei que este é um título com um orçamento certamente muito reduzido e que há sempre aspetos onde a qualidade irá sofrer, mas não existe forma de receber estes problemas com um sorriso. Simplesmente não há.

Algumas ideias interessantes, mas que falham na sua concretização

Para mim, Werewolf: The Apocalypse – Earthblood é, literalmente, um jogo complementado distinto em 2021, mas não pelas melhores razões. É um título com imensas limitações visuais e nem o seu próprio combate, efetivamente divertido, é suficiente para consegui safar o resultado final. Não me conseguir identificar com a personagem principal e a sua luta, onde o meu único incentivo para continuar a avançar foram os momentos onde me transformava em lobisomem e rebentava com tudo o que me fazia frente. Sim, esta é certamente a cereja no topo deste bolo com imensos problemas durante a sua conceção.

positivo Combate divertido e personalizável através de skill tree
positivo Ideia engraçada do hub world

errado Animações das cutscenes muito datadas
errado NPC’s sem texturas comparativamente à personagem principal
errado Ausência de sangue nos inimigos e na personagem principal (após combates)

Data de Lançamento: 04/02/2021
Produtora: Cyanide
Editora: Nacon
Género: Ação, Aventura
Disponível para: PC, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series S|X

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise (jogada numa Xbox Series X).

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares.

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