Hyrule Warriors: Age of Calamity – Análise

Hyrule Warriors Age of Calamity dicas

Antes de começar a falar sobre o jogo em causa, quero desde logo dizer que este é um texto sob a perspetiva de alguém que não passou mais do que quinze horas em The Legend of Zelda: Breath of the Wild, o que me coloca numa posição muito diferente de outras pessoas (embora elas existam em massa também certamente). Se fazem parte daquele grupo que devorou BOTW e que procura a opinião (ou não) no que diz respeito à ligação entre os dois títulos ao nível na narrativa, então ficam desde já a saber que não a irão encontrar. Ok, agora que já deixei essa ideia bem clara, vamos ao que realmente interessa.

Hyrule Warriors: Age of Calamity não estava de todo no meu radar aquando o seu anúncio. Não desgostei do conceito, até porque o género musou é um tipo de jogo que aprecio cada vez mais, mas a minha atenção ficou por ali, uma vez que sabia que era uma prequela no que diz respeito à narrativa do Breath of the Wild, sendo que pensei para comigo: não sei se quero investir tempo nisto já que não sinto qualquer ligação às personagens envolvidas. A verdade foi que, num raro momento de: “não me apetecer a jogar nada de especial”, fui experimentar a demo. O resultado foi um autêntico: “wow, isto é extremamente divertido e detalhado!”. Após ter jogado alguns minutos, não demorei muito a ponderar a aquisição do jogo, embora só o tenha feito algumas semanas mais tarde.

Hyrule Warriors Age Of Calamity análise 01
Estas são apenas algumas das várias personagens que poderão controlar durante a aventura.

Em termos de narrativa, o jogo tem lugar 100 anos antes dos eventos de Breath of the Wild. Isto nunca foi um incentivo para mim, embora tivesse curiosidade para saber o que aconteceu antes do mesmo. Mas, esquecendo a narrativa, a qual achei engraçada (mas nada que vá ficar comigo para sempre), a minha surpresa começou desde logo como a famosa jogabilidade musou e a excelente forma como foi implementada no mundo de The Legend of Zelda. Existe uma maior complexidade do que o normal neste tipo de jogos e as próprias mecânicas são muito mais do que pressionar os botões de ataque para limpar hordas e horas de inimigos espalhados pelo ecrã (momentos os quais, em alguns casos, somos presenteados com grandes quebras de frame rate). Na verdade, atacar desenfreadamente nem sempre é a melhor opção na maioria dos casos. Existem imensos combos possíveis, os quais vamos desbloqueando com o progresso do jogo, bem como ataques especiais, os quais tornam o campo de batalha num autêntico alvoroço visual.

Hyrule Warriors Age Of Calamity análise 02
Cada personagem tem um leque de golpes único, tornando sempre apelativa a transição entre as mesmas.

No que diz respeito às armas, felizmente as mesmas não se partem como em Breath of the Wild, o que acaba por ser algo positivo. Embora existam imensas armas para equipar, a sua variedade não é assim tanta, e dei comigo a usar apenas três ao longo do jogo: duas espadas e uma lança (isto no caso do Link, claro). Estas podem ser melhoradas ao serem combinadas com outras através de um ferreiro que eventualmente desbloqueiam (segundo me recordo, é opcional desbloquear). Cada uma das várias personagens jogáveis (e ainda são algumas) tem uma arma específica, bem como os seus ataques especiais, e movimentos, também são diferentes.

Na verdade, o jogo apela a que usemos as diferentes personagens ao longo da aventura, mais que não seja pelo facto de que podemos ordenar a movimentação de cada uma delas no mapa. A título de exemplo, se tivermos que tomar posse de três outposts no mapa, podemos dar ordens a cada um dos nossos companheiros para se deslocar imediatamente para lá, ao mesmo tempo que nós tentamos controlar um deles. Num cenário perfeito, na altura em que tenhamos conseguido cumprir a nossa parte, já a outra personagem estará no próximo outpost e é só tomarmos posse da mesma para começar a nova batalha. Isto fica ao critério de cada um, pois se preferirem andar pelo mapa a explorar, também o podem fazer sem problema. Obviamente que a exploração vos poderá beneficiar com mais XP ao derrotar mais inimigos, bem como a obtenção de novos itens.

O mapa do jogo oferece imenso conteúdo para além das missões principais. Conteúdo secundário como determinados desafios para cada uma das personagens, acabam por permitir que possamos evoluir mais facilmente as mesmas. No entanto, se preferirem algo mais rápido e eficaz, existe uma opção onde, em troca de Rupees (moeda do jogo), possam fazer level up sem grande esforço. Acaba por ser positivo para quem prefere evitar fazer grind. Com o avançar das missões principais, mas não só, vamos desbloqueado novos desafios no mapa, bem como formas de obter novos comerciantes nas várias zonas do mesmo e com diversos benefícios.

Existem pontos de interesse que também permitem ganhar corações extra para cada uma das personagens, bem como novos combos, entre outras coisas. Isto tudo é obtido em troca dos imensos recursos que vamos adquirindo ao longo das missões. Estes também podem ser usados para criar buffs que permitem ganhar mais XP nas missões, obter recursos raros, aumentar o nível de resistência a certos elementos, aumentar o nosso dano, entre muitas outras coisas. O mapa está repleto de coisas por fazer e há sempre algo interessante por completar e que nos irá beneficiar a curto prazo.

Hyrule Warriors Age Of Calamity análise 03
O caos está totalmente garantido durante as batalhas, bem como o prazer de ver dezenas de inimigos serem projetados a cada novo ataque.

As áreas do jogo oferecem alguma variedade visual e muitas das zonas serão facilmente reconhecidas para quem já jogou boa parte de Breath of the Wild. Até para uma pessoa como eu que não terminou, uma das últimas missões do jogo levou-me à zona inicial de BOTW, o que, obviamente, me deixou a sentir em casa. É lógico que esta será a sensação para todas as pessoas que terminam Breath of the Wild, mas, para mim, não foi algo presente a tempo inteiro.

A variedade de inimigos não é incrivelmente vasta e, ao fim de algumas horas, senti que já era mais do mesmo. Por outro lado, não posso dizer que isso tenha afetado a minha experiência pois, acima de tudo, sempre foi divertido abrir caminho por entre centenas de inimigos. Mas por falar em abrir caminho, não posso deixar de mencionar um dos pontos mais devastadores do jogo: o controlar das Devine Beasts. Estes são momentos de pura diversão e destruição maciça. Acima de tudo, são momentos relativamente curtos, mas onde me deu imenso gosto aniquilar centenas de inimigos de uma só vez com os incríveis poderes destas “máquinas”.

Depois de concluir a narrativa com pouco mais de vinte horas (dependendo sempre da quantidade de conteúdo secundário que façam), posso afirmar que Hyrule Warriors: Age of Calamity acabou por ser uma excelente aventura. Apesar de ser uma experiência musou, onde é normal haver alguma repetição no combate e em inimigos, isso não me impediu de me divertir imenso em Hyrule e conhecer também todo um engraçado conjunto de personagens jogáveis, seja através das várias cutscenes, como da própria jogabilidade.

Enquanto alguém que não jogou muitas horas de Breath of the Wild, aquilo que posso dizer é que vale a pena investir à mesma tempo nesta aventura e ficar a conhecer melhor o que aconteceu nos eventos antes do jogo mencionado. Por outro lado, para todos os fãs do jogo anterior da série, diria que é praticamente um jogo obrigatório caso tenham interessado pela narrativa. Isto claro, se conseguirem superar a barreira que existe para muitos jogadores: o género musou.

positivo Imensas personagens jogáveis
positivo Muito conteúdo secundário opcional
positivo Um dos melhores jogos com base na fórmula de Dynasty Warriors
positivo É possível jogar com um amigo (embora só localmente)

errado Algumas quedas de frames aquando da existência de imensos inimigos no ecrã

Data de Lançamento: 20/11/2020
Produtora: Koei Tecmo Games, Omega Force
Editora: Nintendo
Género: Hack & Slash, Musou
Plataformas: Nintendo Switch

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares.

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