Cyber Shadow – Análise

Cyber Shadow análise

Durante a última geração, tem sido notório o ressurgimento à volta de narrativas cujos protagonistas são ninjas ou samurais. Ficamos facilmente rendidos, não só às belíssimas paisagens, mas também às fantásticas histórias e mitos. Cyber Shadow é apenas mais um exemplo, dentro deste género, onde ter um protagonista ninja é sinónimo de uma forte narrativa e entretenimento.

Cyber Shadow, desenvolvido pela Mechanical Head Games, traz-nos a nostalgia da estética do 8-bit, muito à semelhança de títulos como Mega Man, num mundo dominado por um terrível doutor, Dr Progen. No entanto, enquanto procuro descrever de uma maneira muito simplista este jogo, a profundidade da sua narrativa exige que este título seja experienciado por todos.

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Mekacity exige o máximo da nossa concentração e empenho.

A narrativa começa com a aparição do nosso protagonista, Shadow, onde lhe é dado a complicada tarefa de resolver o mistério à volta da cidade distópica de Mekacity e da queda do seu clã, L-Gion, ambos vítimas da tentativa desesperada do Dr. Progen de salvar a filha. Também no início da história ficamos a conhecer um robot que, de alguma maneira, está ligado ao mesmo clã. Este robot ajuda o nosso protagonista, de tempos em tempos, à medida que vamos progredindo na história, seja através de upgrades ou suporte histórico.

Esta aventura está longe de ser fácil; muito pelo contrário. É complexa, desafiante, e obriga a uma boa dose de paciência. E foram muitos os momentos! Desde o seu início que o jogo dá pouco com que trabalhar. Tudo é limitado, desde a vida, energia, habilidades e comandos, o que rapidamente me fez compreender que para progredir era necessário dominar e contrair todas essas limitações. No entanto, a equipa da Mechanical Head Games fez os possíveis para minimizar alguma frustração, bem como tornar a experiência do jogador mais fluida. Primeiro, o jogo espalha os checkpoints perfeitamente, causando um sentimento de recompensa, o que nos dá uma boa dose de adrenalina entre os mesmos. E, por experiência, o sentimento de avistar um checkpoint é quase o mesmo de ultrapassar um boss.

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Ethos é um lugar sagrado que nos ajuda avançar no nosso treino

Depois, o jogo tem a sua própria currency (essence), que é possível obter através de caixas ou inimigos – o que não é nada fácil. O essence que coletamos é bastante valioso, pois permite fazer upgrades dentro do checkpoint. Esses upgrades podem ser direcionados para o aumento de vida e/ou energia, ou para sintetizar poderes (temporários), como por exemplo, um escudo que tem a capacidade de absorver ataques inimigos e um auto-turret. No entanto, estas não são as únicas habilidades que vamos obtendo. Ao derrotarmos bosses específicos, desbloqueamos habilidades permanentes, tais como a capacidade de atirar shurikens e criar um ataque de fogo através da nossa espada. Estes ninjustus, usando o termos mais correto, são a essência dos grandes guerreiros do clã de Shadow, que, sob a forma de ninjutsu, têm o objetivo de ajudar nesta aventura.

Para além disso, existem outros componentes importantes, como a localização de Ethos. A título de exemplo, Ethos é o Monte Myoboku de Naruto. Estas viagens a Ethos, tal como acontece em Naruto, são pouco frequentes e só temos acesso em momentos de meditação. Este lugar ajuda-nos no nosso treino e a desvendar o que aconteceu ao nosso mundo, com a adição de alguns detalhes sobre o Dr Progen.

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Uns maiores que outros, mas, no final, a dificuldade é a mesma.

Tal como já mencionei, a mecânica de combate torna-se mais atrativa e entretida à medida que a vamos dominando. Durante o jogo, fui confrontado com todo o tipo de inimigos e bosses, desde lasers a cair do céu, a personagens relacionadas com o passado de Shadow. Todas estas batalhas foram intensas à sua maneira, mas o que não mudou foi o meu estado de espírito, quase de pé enquanto fazia descer barras de vida, sabendo que, à mínima distração, poderia ser levado ao último checkpoint.

Cyber Shadow é uma belíssima experiência visual e auditiva, apesar de, em certas partes, ter existido a sensação de igualdade entre cenas. No entanto, cada secção, no geral, oferece uma experiência singular, e a adição de algumas cutscenes enaltece toda a atmosfera criada pelo jogo. É de elogiar efusivamente todo o fantástico trabalho estético executado ao longo de todo a aventura, seja através da variedade de inimigos ou dos próprios efeitos de luz que dão vida à própria cidade.

Apesar da dificuldade encontrada à medida que progredi no jogo, o que pode afastar alguns jogadores, nunca senti que fosse de todo impossível completá-lo. Sim, é desafiante, mas, ao mesmo tempo, justo, dando espaço para que consigamos apreciar o jogo por aquilo que é. Para todos aqueles que gostam de um bom desafio, recomendo vivamente Cyber Shadow, e, estando no Game Pass, não me parece que hajam desculpas para não o fazerem.

positivo Narrativa apelativa
positivo Sistema de upgrades recompensador
positivo Visualmente gratificante

errado Dificuldade pode afastar alguns jogadores

Data de Lançamento: 26/01/2020
Produtora: Mechanical Head Studios
Editora: Yatch Club Games
Género: Ação, Plataformas
Plataformas: PC, Xbox, PlayStation, Nintendo Switch

Análise feita com base na versão para PC (Microsoft Windows).

Autor: Tiago V. Marques

"Nobody knows what's gonna happen at the end of the line, so you might as well enjoy the trip." -Manuel "Manny" Calavera, Grim Fandango

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